E uma única vez que eu saí dos trilhos foi no enterro do meu irmão. Nesse dia eu não quis ser forte. Desejei ser apoiada e mesmo sabendo de toda dor de minha mãe, eu pedi o colo dela.
Pedi que cuidasse de mim, da mesma forma que cuidou quando eu era um bebê.
Eu precisava daquele momento, porque eu sabia que aquele dia seria o único que eu poderia mostrar minha fragilidade e perder meu equilíbrio, que até então era invejado pelas pessoas que convivem comigo. Mas eu falo de invejinha boa, sabe? Falo de um sentimento bom, de ouvi-los dizer “Eu queria ser como você”.
Mas naquele dia não. Aquele dia eu me entreguei, porque sabia que os outros dias que viriam seriam os mais difíceis. Que eu teria que retomar a minha fortaleza para “segurar a onda” da minha mãe. Não foi fácil. Mas o tempo nos leva além, ele nos leva onde outra memória se inventa e outras coisas vão acontecendo. O tempo não nos leva ao esquecimento, apenas nos conforta da ausência. Deus sabe a hora certa para sofrermos e para retirar o sofrimento.
Eu continuo no leme. E o que eu aprendi diante de algumas experiências que vivi é que sou daquelas pessoas que nasceram para “cuidar”.
Eu sou a balança e tenho que estar sempre em boas condições.
Deus me deu este dom. Então que assim seja.

9ª EDIÇÃO SENTIMENTO
Sentimento da semana: desequilíbrio
3 comentários:
Não tem como perder o equilíbrio numa situação destas.
Abraços, Mari...
Olá,Nina!!!
Que texto lindo!!!Me identifiquei com sua personagem, sou quem cuida de todo mundo! Mas ser forte não é fácil as vezes precisamos de colo também...
Parabéns pelo texto!!
Boa sorte!!!
**Lindo este blog também!!
Me encantei som seu banner!!Que imagem impressionante!!!
Nina
Lindo seu texto e como me encontrei nele em quase todos os parágrafos.
Como entendo essa dor, essa fraqueza, essa necessidade de colinho de mamãe.
Parabéns pela participação e pelo pódio.
Amei o selo e como me deixou feliz.
Beijos
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